Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação Cível Nº 0102289-43.2017.4.02.5102/RJ
RELATOR: Desembargador Federal ROGÉRIO TOBIAS DE CARVALHO
APELANTE: CRISALYS COMERCIO DE PRODUTOS ALIMENTICIOS LTDA
ADVOGADO(A): ANDREA CRUZ SALLES (OAB RJ096250)
ADVOGADO(A): JOAO VICTOR VIDEIRA RIBEIRO (OAB RJ248995)
ADVOGADO(A): FABIANA VIANNA FERRAO (OAB RJ126296)
ADVOGADO(A): MARCO AURELIO ALVES MEDEIROS (OAB RJ102520)
APELANTE: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF
EMENTA
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. CONTRATOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. REVISÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. JUROS REMUNERATÓRIOS. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. TABELA PRICE. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. RECURSOS DESPROVIDOS.
I. CASO EM EXAME
1. Apelações cíveis interpostas em ação revisional de contratos bancários, objetivando a declaração de nulidade de cláusulas contratuais referentes à cobrança de juros remuneratórios supostamente abusivos, capitalização de juros, aplicação da Tabela Price e cobrança de comissão de permanência nos contratos celebrados entre as partes.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há quatro questões em discussão: (i) definir se é aplicável o Código de Defesa do Consumidor aos contratos bancários firmados pela sociedade empresária; (ii) estabelecer se houve cobrança de juros remuneratórios em patamar abusivo; (iii) determinar se a utilização da Tabela Price caracteriza capitalização de juros indevida; (iv) verificar a validade da cláusula de comissão de permanência cumulada com outros encargos.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O Código de Defesa do Consumidor não se aplica aos contratos bancários firmados por pessoa jurídica para fomento de atividade empresarial, salvo comprovada hipossuficiência técnica, jurídica ou econômica, o que não se verificou no caso concreto.
4. A alegação de juros remuneratórios superiores à média do mercado não configura abusividade por si só, sendo necessária a comprovação de onerosidade excessiva ou de taxas desproporcionais, o que não restou demonstrado.
5. A utilização da Tabela Price como método de amortização da dívida não configura capitalização indevida de juros, salvo na hipótese de amortização negativa, o que não ocorreu, estando as cláusulas contratuais em conformidade com a legislação vigente e a jurisprudência do STJ.
6. A capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano é permitida nos contratos celebrados após a edição da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada, o que ocorreu no caso dos autos.
7. A comissão de permanência não pode ser cumulada com juros remuneratórios, juros moratórios ou multa contratual, nos termos das Súmulas nº 30, 294, 296 e 472 do STJ, razão pela qual deve ser afastada a cláusula contratual que prevê tal cumulação.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Recursos desprovidos.
Teses de julgamento:
1. O Código de Defesa do Consumidor não se aplica a contratos bancários firmados por pessoa jurídica para o fomento de sua atividade empresarial, salvo comprovada hipossuficiência.
2. A alegação de juros remuneratórios superiores à média do mercado não caracteriza abusividade se ausente prova concreta de onerosidade excessiva.
3. A utilização da Tabela Price não configura, por si só, capitalização indevida de juros.
4. É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior a um ano em contratos bancários celebrados após a edição da Medida Provisória n. 1.963-17/2000 (em vigor como MP 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada.
5. A comissão de permanência não pode ser cumulada com juros remuneratórios, juros moratórios ou multa contratual.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, II; CC, arts. 122 e 406; CDC, arts. 2º e 51, §1º; MP nº 2.170-36/2001, art. 5º.
Jurisprudência relevante citada: STF, Súmula nº 121; STJ, Súmulas nº 30, 294, 296, 382, 472 e 596; STJ, REsp nº 973.827/RS, rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, j. 08.08.2012; STJ, REsp nº 1.061.530/RS, rel. Min. Nancy Andrighi, Segunda Seção, j. 22.10.2008.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 8ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO aos recursos de apelação, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Rio de Janeiro, 14 de maio de 2025.